Completando quatro décadas, a Gazeta vê que suas realizações não foram importantes apenas para ela mesma, mas para a trajetória da televisão brasileira
Em seu aniversário de 40 anos, no próximo dia 25 de janeiro, a TV Gazeta ganhará um presente especial: o levantamento de sua memória. “Por incrível que pareça, esse trabalho ainda não havia sido feito. Tem muita coisa no arquivo que a gente não sabe exatamente do que se trata. É um trabalho de garimpo”, revela Marco Nascimento, diretor de Jornalismo da emissora e coordenador dos projetos de comemoração da data.
O que os garimpeiros encontrarem nas pesquisas resultará em uma série de reportagens no Jornal da Gazeta, a ser exibida diariamente entre 25 de novembro e o aniversário do canal, além de um documentário, com apresentação nas proximidades da comemoração. Esse, como define Nascimento, seria o “plano de voo básico”. Ele diz isso, pois o projeto está em seu início e pode ganhar outros produtos, como uma exposição fotográfica e um site com vídeos históricos da emissora.
Grande ajuda para a descoberta das preciosidades do acervo da Gazeta vem do jornalista Elmo Francfort. Desde setembro do ano passado, ele pesquisa a trajetória do canal para o livro Av. Paulista, 900: a história da TV Gazeta, cujo lançamento será na semana da data festiva.
Francfort divide a obra por décadas, começando cada uma delas com uma cronologia. Entre as linhas do tempo, haverá capítulos especiais contando fatos da emissora naquele período. Um deles é logo após a inauguração e com grande importância na história da televisão brasileira.
Em 1972, começaram as transmissões em cores no Brasil após um discurso do então presidente Emílio Médici. “Até hoje, a história era contada como se a Globo tivesse ancorado a transmissão da solenidade”, lembra o jornalista. “Ela retransmitiu o discurso, como todas as outras, mas eram os funcionários da TV Gazeta que estavam por trás de tudo isso. Eles é que foram para Brasília gravar com o Médici porque a Gazeta tinha os melhores equipamentos em cores do país”, completa. O autor coloca ainda que a emissora teve papel fundamental na implementação do sistema não só aqui, mas também na Argentina, como contará em detalhes no livro.
Na segunda-feira em que o canal completa quatro décadas, suas atrações terão como tema a comemoração, conta a superintendente de Programação, Marinês Rodrigues. “Essa é a data-chave das festividades e todos os programas farão suas homenagens”. Mas, até lá, o telespectador poderá entrar no clima da festa vendo trechos de momentos marcantes da emissora nos intervalos.
Todo material dos 40 anos terá um logotipo feito especialmente para a ocasião. Criado por Richieri Pazetti, coordenador de Computação Gráfica da TV Gazeta, ele traz um pouco de todas as logomarcas já usadas pelo canal. “O logo foi concebido com a cara da emissora, tendo alusões à nossa história”, comenta Pazetti.
O resgate da memória não é o único presente que a Gazeta irá receber. No ano que vem, o canal contará com novos equipamentos para entrar de vez na era da televisão digital. “Um pouco depois do aniversário, toda a nossa programação será transmitida em alta definição”, afirma Silvio Alimari, superintendente geral de TV, que estava na inauguração da emissora.
Nesses 40 anos, a marca da TV Gazeta é ser um laboratório de ideias, como com os experimentos no TV Mix, a linguagem singular do Perdidos na Noite. Foram programas, entre tantos outros, responsáveis por mudar a maneira de fazer televisão. Durante os especiais em comemoração do aniversário, o telespectador perceberá que muito da história da tevê no Brasil tem ligação estreita com a Gazeta. E agora, com o garimpo, a própria emissora percebe isso.
[texto que serviu de base para matéria publicada nesta edição de novembro da revista "A Imprensa"]
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